“N” – una ruta afectiva al mar

No Festival del Cuento de Los Silos em Tenerife – Ilhas Canárias – foram criados dois percursos afetivos: “N – una ruta afectiva al mar” e “Caminos de piedra”. Vou contar sobre o primeiro, sobre “N”. Ao longo da costa, na estrada que ligava um monumento com o esqueleto de uma baleia até a praia da Caleta percorremos um trajeto sempre realizado de bicicleta por esse menino “N”. Esse mesmo que tinha 11 anos, havia chegado a pouco na ilha, quase nada sabia de si mesmo, ou melhor, não lembrava quase nada sobre si mesmo. Das poucas coisas que sabia e ainda lembrava: quem era sua mãe e andar de bicicleta.

Esse menino “N” que não lembrava o próprio nome, tinha as lembranças turvadas pelos desatinos da fuga, mares revoltos do caminho que o trouxeram até aquela ilha. N e sua mãe, pessoas refugiadas, obrigadas a migrar, chegam sem saber a língua e nenhuma certeza sobre o futuro. Só um horizonte marcado ao fundo pelo mar. “N” menino, negro com as pedras da ilha encontra refúgio pedalando pela costa, conversando com as baleias voadoras, as lulas gigantes, estrelas do mar, ondas e gaivotas. Se diz irmão das pedras em seu silêncio.

Como acolher e receber “N”? Como presentear essa criança, reconhecendo os horrores e medos que sofreu nessa travessia? Ao longo do caminho por onde ele passa aprendemos com ele um novo lugar e a recriar suas histórias, ao mesmo tempo que o regalamos com nossas memórias, brincadeiras, paisagens de nossas origens e possíveis nomes para um novo tempo para trazer o passado aos pouquinhos.

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