PERCURSOS AFETIVOS é um projeto de narração itinerante de histórias de CADU CINELLI (ator, artista têxtil, contador de histórias e diretor teatral, integrante do grupo OS TAPETES CONTADORES DE HISTÓRIAS), que consiste na criação e realização de intervenções artísticas com bicicletas em espaços urbanos. Durante as intervenções, enquanto pedala com seu público, são contadas histórias ficcionais que se relacionam com os lugares e paisagens percorridas.
O projeto teve suas primeiras intervenções em ago/2017 na cidade de Curitiba. Durante o ano de 2018 ocorreram outras apresentações em diferentes pontos da capital paranaense e em Pinhais. Em 2019 o projeto alcança outras cidades e formatos, tendo se apresentado no 5o Festival Nacional de Contadores de Histórias de Ponta Grossa (PR), na 3ª Mostra Espetacular em Curitiba e na CASA DA LITERATURA PERUANA em Lima (Peru). No ano de 2021 são realizadas performances online no 4th World Congress of Psychogeography, no Serformance SP e na MOSTRA MOVE de Contadores de Histórias do grupo Obragem. No mesmo ano foi publicado pela Kotter Editorial o livro “Percursos Afetivos” com as histórias narradas nas apresentações de Curitiba, assim como teve o lançamento da primeira temporada do podcast Percursos Afetivos ((sonoros)), e uma intervenção na FELIC (Festa Literária de Cambará – PR). No ano de 2022 novas apresentações ocorreram com a 5ª Mostra Espetacular (janeiro), uma temporada de março a abril pela cidade de Curitiba, uma intervenção no 5º FESTINFANTE em Itajaí (SC), a segunda temporada do podcast Percursos Afetivos ((sonoros)) e na Mostra Contos por Todos os Cantos na cidade de Curitiba. Em dezembro de 2022, o projeto aporta no XXVII Festival Internacional del Cuento de Los Silos em Tenerife e em fevereiro de 2023 na cidade do Porto em Portugal. Aliás, em março de 2023, o livro é reeditado pela Kotter Portugal com lançamento nas cidades do Porto, Lisboa e Braga. Em seu retorno ao Brasil o projeto já foi apresentado no FRINGE do Festival de Teatro de Curitiba e no Circuito Oralidades do SESC – Arte da Palavra pelas cidades Poços de Caldas (MG), Bodocó, Petrolina e Araripina (PE) e Natal (RN). Em 2024 o Percursos Afetivos participa do SESC Pulsar RJ em 8 unidades do SESC Rio, no Encontro de Contadores de Histórias ECOH de Londrina, no Circuito Literário do SESC Goiânia GO, do Fórum Mundial de Bicicleta em Brasília com exibição de um dos seus curta metragens, e do IX Colóquio NEER na UFPR. A partir de 2024 também começam a ser realizadas as primeiras JAPRYs (em kaigang, caminho de algo ou alguém), que são percursos vinculados a temas documentais: sobre a atriz Lala Schneider, Hortas Urbanas em Curitiba e a primeira engenheira negra do Brasil, Enedina Alves Marques. O projeto Percursos Afetivos foi contemplado em 2024 pelo Selo do Programa Bicicleta Brasil da Secretaria Nacional de Mobilidade do Ministério das Cidades, pela relevância das atividades desenvolvidas em torno da cultura da bicicleta.
Durante 2019 e 2024 o projeto ganha novos contornos ao ser levado como metodologia da pesquisa de Doutorado de Cadu Cinelli dentro do Programa de Pós Graduação em Geografia da UFPR, na linha de pesquisa Espaço, Produção e Cultura. A tese “Narração Geoartística – movimentos de corpos pedalantes” recebe o Prêmio de Excelência da UFPR.
Além de Cadu Cinelli, o projeto tem a colaboração criativa do artista terapeuta Dag Bach que atua como contador de histórias em algumas das intervenções, assim como parceiro e apoiador das ações. O videoasta Felipe Roehrig se tornou um grande parceiro do projeto na criação dos registros audiovisuais do projeto a partir de 2022, que implicará na publicação desses vídeos entre 2023 e 2024. Também há o apoio cultural da Bicicletaria Cultural, do Cicloativismo Fotografias que possibilitaram as ações ocorridas durante o ano de 2017 e 2018 na cidade de Curitiba.
Cada Percurso Afetivo tem suas histórias, personagens, lugares e paisagens. O público ouvinte e participante, formado por ciclistas em conjunto com o artista, que os guia ao longo do PERCURSO ouve narrativas e paisagens sonoras, que ressignifica o olhar sobre as rotas que atravessam a cidade, criando novas paisagens para os espaços, construindo uma nova cartografia afetiva para aquele lugar. As histórias narradas são sobre pessoas, lugares, animais, árvores que constituem a cidade, que participam da construção das paisagens urbanas. São aquelas pessoas que costumam estar a margem da normose, nos bastidores do drama burguês, ou que servem de pano de fundo para as questões sociais. Durante as narrações dos “percursos” estes que seriam coadjuvantes ou mesmo simples figurações telenovelisticas, ganham protagonismos e são responsáveis nos seus dramas em conduzir a trajetória onde são contadas suas histórias. É a história da Ludmila, da Guadalupe, Gerusa, Lúcido, Gilda, João Pedro, Francisco, do homem árvore, da moça que tinha um sonho que cabia num bolso, e tantas outras pessoas criadas para dar conta dos conflitos individuais, coletivos e sociais que habitam o cotidiano da cidade. Interessa ao projeto que as histórias de quem constrói os prédios em uma zona rica da cidade possam vir à tona, assim como daqueles que vem das regiões mais “periféricas” e precisam trabalhar no “centro” (quais paisagens carregam consigo?).
Até o presente momento foram criados 19 percursos afetivos com histórias diferentes, além de uma modalidade de intervenção que é feita com improvisação de curtas narrativas.
Para estas narrações de histórias itinerantes o veículo “bicicleta” se torna: agente responsável em transportar o público, colocando-o ativamente dentro da performance; meio e ponto de perspectiva para visão das histórias a serem criadas, e posteriormente, narradas na apresentação; ponto de questão para se discutir artisticamente o papel de um meio de transporte e de sua relação com o meio externo. Além desses pontos levantados, a apresentação também traz em seu cerne a discussão da utilização do espaço público, o quanto as histórias dos seus habitantes podem pertencer a esses espaços, e estes podem pertencer aos seus habitantes. A ressignificação, por meio da ação poética, pode potencializar o olhar do transeunte para revisão da paisagem que lhe era cômoda e habitual. Repensando os caminhos das produções espaciais, tanto para aquele público que participará ativamente da performance, quanto para aquele que de passagem verá um grupo de ciclistas em relação a algum espaço.
Ficha técnica:
Idealização, criação e performance: Cadu Cinelli
Colaboração criativa e performance: Dag Bach
Fotos: Doug Oliveira (Cicloativismo Fotografia) e Renato Mangolin
Assessoria de Comunicação: Glaucia Domingos
Produção e realização: Bilboquê Criações Artísticas e Culturais
Co-produção: Caleidoscópio Associação Cultural