Percurso CANTEIROS URBANOS de Bicicleta – JAPRY

A CAIXA Cultural Curitiba, como forma de celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, organizou dois percursos de bicicleta por hortas e canteiros urbanos na cidade. Com estes dois percursos itinerantes, ocorridos no dia 09 de junho de 2024, o público pode conhecer algumas hortas comunitárias, canteiros, jardins e outros modos de ocupar a cidade a partir da premissa de fazer desse espaço, um lugar para plantio e reinvenção da poética do habitar. Além dos percursos de bicicleta, a programação contou com uma palestra sobre Agriculturas Urbanas por Pedro Sorrentino (Mestre em Planejamento Urbano/UFPR) no dia 05 de junho de 2024.  

Os percursos de bicicleta foram mediados e performados por Cadu Cinelli (Doutor em Geografia/UFPR), que já desenvolve o projeto “Percursos Afetivos” de narração de histórias itinerantes com ciclomobilidade desde 2017.  Aqui, nestes dois percursos, Cinelli fez um desdobramento do seu projeto, e convoca a palavra Japry, de origem Kaigang (uma das populações originárias que habitam parte do Paraná), que significa “o caminho de algo ou alguém” para ser aliada na inspiração da mediação destes percursos, e uma forma de reconhecer que o território curitibano é também terra indígena.

JAPRY é um projeto de Cinelli em parceria com Yasmim Reck (Mestra em Planejamento Urbano/ UFPR), Felipe Roehrig (Artes Visuais e Design/UFPR) e Eduardo Sinegaglia (Arquitetura e Urbanismo/ UFPR). Cinelli vem desenvolvendo uma série de percursos narrativos com bicicletas sobre patrimônio e paisagem culturais. 

Em Curitiba, ao longo das últimas décadas, aconteceram diferentes formas de organização de hortas e canteiros: desde mobilizações comunitárias que receberam a chancela e regulação da prefeitura para ocupação dos espaços, ou outras que são formas autônomas e emancipadas que buscam outras maneiras de existir que não as institucionalizadas pelo Estado. A paisagem urbana nos últimos anos vêm sofrendo modificações com a abertura de espaços nas calçadas para plantio, para a construção de canteiros em esquinas, em beiradas de rios, ciclovias e trilhos, em reocupação de praças e terrenos baldios. As hortas urbanas se tornam manifestações coletivas, comunitárias e ou mesmo individuais, como atos propositivos de atuação e reivindicação do direito à cidade. Além de plantar o próprio alimento, é nutrir o estar em comunidade, e cultivar o pertencimento para um habitar poético e cidadão. Alguns desses espaços são para além de canteiros, são lugares de convivência entre as pessoas que ali cultivam. 

Fizemos um recorte dentro do grande universo de hortas e canteiros presentes na cidade. Inclusive fizemos o convite para conhecer a pesquisa de Pedro Sorrentino, em que ele apresenta um mapa desses espaços em Curitiba. Escolhemos dois trajetos que representam parcelas da forma que a cidade se distribui e é ordenada. Por isso, na atividade do dia 09 de junho estão programados dois trajetos, um pela manhã na direção nordeste, e outro pela tarde na direção sul. Pela manhã são visitadas as seguintes localidades: Horta do Jacu (Bom Retiro), Praça Seu Francisco (Juvevê), Colégio Estadual Leôncio Correia (Bacacheri), Horta Comunitária Alto da XV. À tarde são visitadas a Fazenda Urbana do Cajuru, Horta Comunitária do Cajuru, Horta Marumbi I, Horta Comunitária Santa Luiza. 

Abaixo segue link com dados colhidos pela pesquisa do Pedro, e inclusive sua dissertação, que demonstram a força e a necessidade de nos mobilizarmos enquanto sociedade para garantia de que espaços como esses possam ser cada vez mais disseminados, fomentados e claro, garantidos e assegurados pela organização estatal. 

https://drive.google.com/drive/folders/1BV3-rCzYRwjJlRNc6606ZbeeW_tXwjDr?usp=sharing

Percorrer afetivamente esses espaços, ouvindo não só as histórias de quem os mantém e os cultiva, é também um convite para uma escuta sensível para as outras manifestações da vida que ali existem, que não só as humanas. Hortas, canteiros, jardins, são aberturas, brechas verdes no meio do concreto da cidade, e que possam trazer acolhimento e moradia para insetos, pássaros, fungos e plantas. Deixamos em escrito a fala de Aíton Krenak:

“Penso muito na música “Refazenda”, do Gilberto Gil, naqueles versos que dizem ‘Abacateiro acataremos teu ato/Nós também somos do mato como o pato e o leão’. O tempo passou, as pessoas se concentraram em metrópoles, e o planeta virou um paliteiro. Mas, agora, de dentro do concreto, surge essa utopia de transformar o cemitério urbano em vida. A agrofloresta e a permacultura mostram aos povos da floresta que existem pessoas nas cidades viabilizando novas alianças, sem aquela ideia de campo de um lado e cidade do outro, mas de humanidade”. (KRENAK, 2020)

“Em diferentes lugares, tem gente lutando para este planeta ter uma chance, por meio da agroecologia, da permacultura. Essa micropolítica está se disseminando e vai ocupar o lugar da desilusão com a macropolítica. Os agentes da micropolítica são pessoas plantando horta no quintal de casa, abrindo calçadas para deixar brotar seja lá o que for. Elas acreditam que é possível remover o túmulo de concreto das metrópoles. (KRENAK, 2020)”

FICHA TÉCNICA

Concepção: Programa Educativo CAIXA Gente Arteira

Coordenação: Cadu Cinelli e Yasmim Reck

Performance itinerante narrativa: Cadu Cinelli

Palestra: Pedro Sorrentino

Design gráfico: Felipe Roehrig e Yasmin Reck

Cartografia: Eduardo Sinegaglia

Fotos: Doug Oliveira

Ciclobatedores: Dalila Lapuse e Henrique Jakob

Realização: CAIXA Cultural Curitiba  & Bilboquê Criações Artísticas e Culturais

Co-realização: LA BASE

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