Entre os meses de abril e maio de 2024 ocorreram os Percursos Afetivos por algumas unidades do SESC Rio, através do Edital SESC Pulsar. Nova Iguaçu, Tijuca, Três Rios, Arte SESC Flamengo, Madureira, Campos dos Goytacazes, Grussaí e Niterói foram as unidades visitadas, e para cada um delas um percurso diferente, com uma proposta de narração geoartística: trajetos e narrativas poéticas específicas para cada uma delas. Relato uma breve sinopse com o título de cada uma delas:
Nova Iguassú Velho – SESC Nova Iguaçu: Dois amigos que não se encontravam há 15 anos. Bernardo e Fernando. Bernardo foi embora do bairro de Moquetá, e há 15 anos não voltava. Retornar ao bairro é reencontrar as paisagens da infância e adolescência, as descobertas do mundo ao seu redor ao lado do seu amigo Fernando. Este não chega no horário combinado e Bernardo resolve andar pelas ruas de Moquetá. São os vestígios do progresso, das enchentes, do desenvolvimento desigual e as “gentis” gentrificações do bairro da sua infância. Aos poucos os morros começam as ser escondidos pelos imensos empreendimentos que sombreiam as ruas e as outras casas. Bernardo reencontra um novo bairro… mas com muitos resquícios do que há de mais velho e retrógrado.

Como um Rio – SESC Tijuca: E se fôssemos um rio? Se ao pedalarmos pelas ruas da tijuca, fôssemos com nossas rodas de bicicletas o curso de um rio imaginário, o curso de um rio coberto pelo progresso desenfreado. Se fosse possível ser um rio, nessa tijuca dos tempos de hoje, como conviver com o asfalto, canalização de outros rios, soterramento dos pântanos e perda das margens para o concreto? Fazer o percurso na Tijuca, é um retorno ao mais íntimos olho d’água, a minha nascente. Este olho d’água que forjou quem sou e que me deu muito aprendizados, como pedalar. Como um rio pedalamos por essa tijuca que poderia ser reimaginada com mais rios em suas ruas, com canais limpos e povoada por árvores às margens. Correr livre pela tijuca como uma criança que lê o mundo ao seu redor e funda novas memórias com as antigas.

Encontros das águas na cidade dos três – SESC Três Rios: José todos os dias faz o mesmo trajeto da zona rural da cidade até o centro da cidade para trabalhar como jardineiro. Leva suas ferramentas em sua bicicleta sem pestanejar. Mas vez ou outra desvia do caminho para seguir o curso do rio Paraíba do Sul, o rio de sua vida. O rio amigo que confessa seus segredos e desejos. O rio de suas memórias de toda uma vida.

Há Terra – Arte SESC Flamengo – nossas rodas de bicicleta, repovoam o imaginário ao cruzarem pelas ruas da cidade: e se os nomes das ruas pudessem receber os nomes das pessoas que as habitam? se a cidade pudesse considerar as árvores, os seus pássaros, insetos e outros seres, seus habitantes também? O parque do Flamengo, popularmente conhecido como Aterro do Flamengo, é um poema-parque presente na paisagem da cidade. As pedras que fazem o aterro são resquícios de morros do centro da cidade, quantas histórias estão ali daquelas rochas que um dia foram chão e terra para muitas pessoas? Percorrer o aterro e fundar novas memórias, reinaugurar um tempo, reconhecendo o passado, compreendendo em raíz o presente, ramificando um futuro.

Madonna em Madureira – SESC Madureira: Depois do show de encerramento da Celebration Tour no Rio de Janeiro, no dia seguinte, Fernanda Madonna, uma jovem moradora do bairro de Madureira, impactada com tudo o que viu e ouviu naquela noite, resolve mudar a sua vida. A inspiração trazida pela artista traz uma força intensa em Fernanda que decide ser aquilo que deseja: trabalhar com arte, provocar o mundo e a si mesma. Quando foi a última vez que ocorreu uma grande mudança em sua vida? Quantas mudanças ocorreram de forma avassaladora, a tal ponto que mudaram o curso de sua vida?

A caminho do Mar – SESC Campos: João volta à Campos dos Goytacazes para saber sobre os seus antepassados. João carrega no seu nome o sobrenome Campos. Ele é de Campos. Ele pertence a este lugar por algum motivo que desconhece e precisa saber. João é um homem preto. Assim como todos os seus antepassados que carregam o sobrenome que fazem pertencer a Campos, que o denomina propriedade de alguém. Campos, paisagem dos engenhos de açúcar, do extrativismo, e da escravidão. A família de João é remanescente do sangue e suor derramados nos canaviais. Seus antepassados, foram forçados a trabalhar ali. João se assegura como o rio Paraíba do Sul, que lentamente vai na direção do mar, que aos poucos e em certeza desvela o passado.

Volta ao Mundo – SESC Grussaí: Eduardo, Douglas e Ana, três crianças amigas que numa manhã encontram um cristal mágico que abre um portal para que elas possam percorrer o mundo em 80 minutos. Assim andam através do tempo e do espaço pelo Japão, China, Índia, Egito, Grécia, Itália, Tunísia, México e Brasil. Pedalar com a criança que ainda nos habita e brinca.

Guá – SESC Niterói: Marina precisa se despedir da cidade que nasceu e cresceu. Em poucos dias irá viajar para começar uma nova vida em outra cidade, noutro país, noutra língua. Uma nova vida como sempre sonhou, como sempre desejou. Agora é momento de partida, de fechar as malas . Mas antes precisa guardar consigo as imagens de quem é antes de ir. Uma última imagem para saber-se no lugar onde se forjou. Marina quer guardar o que é importante e deixar o que não serve mais. Marina quer o mundo, e deseja carregar seu mundo consigo. A cada lugar celebra e honra o tempo e o seu lugar.

